PERFIL DO USO DE PLANTAS MEDICINAIS EM UNIDADES DE SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE ARACAJU/SE
Abstract
INTRODUÇÃO: As plantas medicinais foram os primeiros recursos terapêuticos utilizados pelos povos e caracterizados como remédio, com o objetivo de curar ou aliviar enfermidades em uma população ou comunidade. No Brasil, os jesuítas, indígenas e africanos contribuíram para o conhecimento e a popularização das ervas medicinais através da sua utilização para fins terapêuticos, como também, por motivos religiosos e, alguns, para evitar os efeitos colaterais dos medicamentos sintéticos. O uso das plantas constitui um importante método terapêutico muito usado pela população mundial que não tem acesso a medicamentos industrializados¹. Contudo, para utilizá-las, é preciso conhecer a espécie, saber onde colhê-la e como prepará-la2. OBJETIVO: Conhecer o perfil sociodemográfico dos usuários da Unidade Básica de Saúde Doutor Roberto Paixão, situada no bairro 17 de março em Aracaju – Sergipe, com o intuito de destacar e inferir o uso de plantas medicinais como alternativa para o tratamento de enfermidades e os fatores sociais desse grupo de usuários. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa de cunho descritivo, de natureza quantitativa, com aplicação do formulário eletrônico, que visa correlacionar o levantamento etnofarmacológico e perfil sociodemográfico de plantas medicinais. Para prospecção científica, foram buscados artigos nas bases de dados, PubMED, Google Scholar e ScienceDirect, tendo como critérios de inclusão artigos em português e inglês, publicados nos últimos cinco anos, partindo como Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): plantas medicinais, remédio único e centros de saúde. Para a análise quantitativa dos dados etnofarmacológicos foram utilizados os parâmetros de Frequência Relativa de Citação (FRC), Valor de Uso (VU), Valor de Uso da Família (VUF), Nível de Fidelidade (FL%) e Fator de Consenso de Informantes (FCI)3. RESULTADOS: De acordo com a pesquisa realizada, 376 entrevistados utilizavam plantas medicinais para fins terapêuticos (92,2%), com dominância da faixa etária entre 37-47 anos (33,24%), sendo a maioria do gênero feminino (84,6%) e o maior grau de escolaridade foi o fundamental incompleto (48,75%). Ademais, os usuários apontaram a utilização de 40 espécies de plantas medicinais que estão caracterizadas em 24 famílias. A família Poaceae obteve um maior VUF=0,38. Outrossim, a Matricaria chamomilla (camomila) foi a planta mais citada para tratamento da ansiedade/agitação com valores altos dos índices quantitativos, com FRC=0,048, VU=0,52, FCI= 0,954 e FL=13,17%. Além disso, a parte da planta mais utilizada foi a folha (32,0%), o chá/infusão foi a forma mais consumida (48,4%) e o quintal foi o local de obtenção mais citado (35,2%). Com relação aos problemas de saúde, a hipertensão (33,1%) é a doença mais relatada e os anti-hipertensivos a classe terapêutica mais utilizada (37,5%). CONCLUSÃO: Conclui-se que as plantas medicinais são grandemente utilizadas pelos participantes de diferentes faixas etárias da UBS Dr. Roberto Paixão, como alternativa terapêutica para diferentes patologias. Para tanto, é de suma importância educar a população acerca da utilização de plantas medicinais, orientando sobre o uso racional e possíveis reações adversas, visto que a fitoterapia se enquadra no âmbito das práticas integrativas e complementares (PICs).
PALAVRAS-CHAVE: Etnofarmacologia, Fitoterapia, Plantas medicinais.
AGRADECIMENTOS: Agradeço ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo apoio financeiro.
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