AVALIAÇÃO GÊNICA E PROTEICA DE CONSÓRCIOS MICROBIANOS NA DEGRADAÇÃO DO DIFENOCONAZOL.
Resumo
O uso extensivo de pesticidas é crucial para atender a produtividade agrícola no Brasil, mas apresenta impactos negativos no meio ambiente e na saúde humana. Dentre os pesticidas, o Difenoconazol (DFZ) se destaca por inibir o crescimento fúngico de diversos fitopatógenos. Contudo é classificado como altamente perigoso e de baixa biodegradabilidade, possui persistência ambiental e bioacumulação em tecidos humanos e animais. Diante das características do DFZ, a biorremediação é vista como uma alternativa viável por utilizar microrganismos para converter poluentes em compostos menos tóxicos, e está centrada na produção de enzimas microbianas, especialmente oxirredutases, se tornando uma estratégia econômica, promissora e com potencial na degradação de compostos recalcitrantes como o DFZ. Portanto, o presente projeto visa explorar o uso de consórcios microbianos para degradar o DFZ, realizando uma avaliação do crescimento bacteriano em meio suplementado com DFZ, construção de consórcios bacterianos, análise da toxicidade dos meios contendo DFZ antes e após o tratamento biológico e investigação dos perfis proteicos e gênicos dos consórcios microbianos. Nesse sentido, foi realizada a ativação de algumas bactérias da biblioteca do laboratório de biologia molecular – ITP/SE, em meios LB (Luria Bertani) com meio MSM (meio de sais mínimos) e em meio MSM suplementado com DFZ comercial a 0,05%. Ademais, foram construídos seis consórcios constituídos por trios bacterianos e um consórcio constituído por todos os isolados utilizados nesse estudo. O crescimento microbiano com meio suplementado foi avaliado, e realizados testes de antagonismos, além da ecotoxicidade em sementes de alface. O perfil gênico foi verificado por PCR referente aos genes catecol 1,2-dioxigenase e catecol 2,3-dioxigenase. Por fim foi verificado o perfil proteico através da eletroforese em gel de poliacrilamida (SDS-page) a 12%. Os resultados mostraram que os isolados têm capacidade de crescimento nesses meios, indicando seu potencial de crescimento e degradação do pesticida. Os testes de antagonismo não mostraram formação de halos inibitórios, indicando que os microrganismos não inibem o crescimento entre eles e não apresentam atividade antagônica. Em relação ao crescimento dos consórcios, o C2, C4, C6 e C7 foram os que apresentaram maior crescimento em 48 h e 72 h, indicando uma adaptabilidade e capacidade de degradação destes consórcios ao meio com o pesticida. O teste de ecotoxicidade mostrou que o tratamento do DFZ com os consórcios C2 e C7 diminuem a toxicidade do pesticida na diluição de 50%. A análise do perfil proteico por SDS-PAGE mostrou quatro bandas com cerca de 30 kDa comuns entre os isolados MI1 (Bacillus cereus.), MI3 (Bacillus sp.), P.sp (Pseudomonas sp.) e consórcio C7. As bandas exibidas provavelmente correspondem a enzimas peroxidases associadas ao processo de degradação do DFZ. O perfil gênico apresentou que o microrganismo MI29 (Bacillus sp.) possui o gene catecol 2,3-dioxigenase e o microrganismo 8BR possui o gene catecol 1,2-dioxigenase. Contudo, o presente trabalho proporcionou a formação de um consórcio eficaz na degradação do DFZ, diminuindo sua toxicidade e indicando a participação de enzimas oxirredutases no processo de degradação do pesticida por meio da análise proteico-enzimática.
PALAVRAS-CHAVE: Consórcios microbianos, Biodegradação, Difenoconazol.
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