DEPRESSÃO, ANSIEDADE E EXPERIÊNCIAS TRAUMÁTICAS NA INFÂNCIA DE PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE: UM ESTUDO COMPARATIVO.

Autores

  • Thaciana de Melo Monte Pedrosa Centro Universitário Tiradentes
  • Joicielly França Bispo Centro Universitário Tiradentes
  • Givânya Bezerra de Melo Centro Universitário Tiradentes

Palavras-chave:

experiências traumáticas, pessoas privadas de liberdade, saúde mental

Resumo

Introdução: Homens e mulheres privados de liberdade apresentam altas prevalências de experiências traumáticas na infância e de sintomas de depressão e ansiedade1,2. Objetivo: Comparar a prevalência de sintomas de depressão, ansiedade e experiências traumáticas na infância entre homens e mulheres privados de liberdade. Metodologia: Estudo quantitativo descritivo com corte transversal. Foram entrevistadas 119 pessoas privadas de liberdade (51 homens e 77 mulheres) no Complexo Penitenciário de Maceió entre dezembro de 2018 a fevereiro de 2020.  Houve aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário Tiradentes – UNIT/AL (n° 3.539.450). O trabalho encontra-se inserido no Programa de Iniciação Científica do Centro Universitário Tiradentes, UNIT/ Alagoas. Resultados: No período de encarceramento, a proporção de homens que trabalhavam (98% vs. 31,2% das mulheres) e o valor da renda média deles (R$: 1.329,10 vs. 332,88 entre as mulheres) foram superiores aos das mulheres. Sofrer algum tipo de violência na infância (abuso) foi mais comum entre as mulheres (81,8% vs. 76,5%), bem como as prevalências de sintomas de ansiedade (59,7% vs. 5,9%) e depressão (62,3% vs. 9,8%). Discussão: A maior vitimização à violência na infância e a maior prevalência de sintomas de depressão e ansiedade entre as mulheres podem ter relação com diversos fatores, entre eles: os impactos do aprisionamento3; as desigualdades de gênero que também se refletem nos procedimentos prisionais4,5, o abandono familiar no período de encarceramento6. As disparidades de inserção no trabalho e na renda no período de encarceramento podem ter relação com os desfechos mais negativos na saúde mental das mulheres. Os homens entrevistados se encontravam no Núcleo Ressocializador, uma unidade diferenciada7 e as mulheres em uma unidade prisional tradicional. Neste sentido, os resultados obtidos podem ter sofrido influencias das características dos ambientes8. Conclusões: As mulheres apresentaram maiores prevalências de experiências traumáticas na infância e sintomas de depressão e ansiedade. As diferenças de gênero somando-se as condições desiguais de encarceramento e oportunidades de inserção no trabalho e geração de renda podem ter contribuído para os resultados observados. É primordial a implantação do Núcleo Ressocializador Feminino para prover as mesmas oportunidades. A atenção à saúde mental das pessoas privadas de liberdade incluindo o suporte às vítimas de violência na infância devem ser ações prioritárias no período de encarceramento. As mulheres requerem olhares especializados tendo em vista suas especificidades e a maior vulnerabilidade para vitimização as violências e desfechos desfavoráveis na sua saúde mental.

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Referências

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Publicado

2020-11-25

Como Citar

Pedrosa, T. de M. M., Bispo, J. F., & Melo, G. B. de. (2020). DEPRESSÃO, ANSIEDADE E EXPERIÊNCIAS TRAUMÁTICAS NA INFÂNCIA DE PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE: UM ESTUDO COMPARATIVO. SEMPESq - Semana De Pesquisa Da Unit - Alagoas, (8). Recuperado de https://eventos.set.edu.br/al_sempesq/article/view/13761

Edição

Seção

Seminário de Iniciação Científica - PROBIC/UNIT - Ciências da Saúde e Biológicas