ANÁLISE DAS CAUSAS DE MORTALIDADE MATERNA EM SERGIPE, DE 2012 – 2015

Natane Oliveira Barbosa, Hysa Carolline Carvalho Oliveira, Juliana Lima Ferreira, Thiago José Magalhães Silva Viana

Resumo


INTRODUÇÃO: Os níveis de mortalidade materna são extremamente elevados e apresentam ampla disparidade entre as regiões mais pobres do Brasil e do mundo, com maior prevalência entre mulheres das classes sociais mais afetadas economicamente. Frente a esse desafio, no ano de 2000, durante a reunião da cúpula do Milênio, a redução da mortalidade materna se torna uma das oito iniciativas dos “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, fazendo com que os Órgãos de Saúde se comprometam a elaborar intervenções voltadas a saúde da gestante, dando-a assistência pré-natal e puerperal. Contudo, os dados estatísticos ainda dispõem de taxas insatisfatórias mostrando o insucesso e a falta de efetividade das políticas intervencionistas, a nível do Brasil e do mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como óbitos maternos, a morte durante a gestação ou até 42 dias após o seu término,  relacionando-se respectivamente as adversidades obstétricas surgidas na gravidez, parto ou puerpério e de antecedentes patológicos ou doenças agravadas pelos efeitos fisiológicos da mesma. Pontua-se que tais fatores estão diretamente relacionados às condições socioeconômicas precárias, nível de escolaridade, nível de informação, violência no contexto familiar e, majoritariamente, pelas dificuldades de acesso a serviços de saúde. OBJETIVO: Analisar causas de óbito materno no Estado de Sergipe, de 2012 a 2015. METODOLOGIA: Inicialmente foi realizada uma prospecção na base de  dados do Datasus (Departamento de Informática do SUS) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com aplicação de métodos de cálculo da razão da mortalidade materna. Subsequente, os dados foram tratados e discutidos frente à revisão de literatura sobre o tema a partir de artigos indexados nas bases de dados Scielo (Scientific Eletronic Library Online) e na Lilacs (Literatura Latino-Americana em Ciências de Saúde). RESULTADOS: No período de 2012 a 2015 foram notificados 88 óbitos maternos no estado de Sergipe, categorizados por Gravidez parto, puerpério e algumas doenças infecciosas e parasitárias, de acordo com a Classificação Internacional de Doença (CID-10). No capítulo XV compreende cerca de 98% destas mortes. A maioria dos casos ocorreram durante o puerpério, até 42 dias (68,1%), com mulheres de faixa etária entre 20 a 29 anos (51,1%), com 8 a 11 anos de estudo (40,9%). Dentre as causas mais frequentes de morte a do Transtorno Hipertensivo Gravídico é a que mais se destaca com 34% das demais, e em seguida, por outras afecções Obstétricas NCOP com 24,8% e complicações do trabalho de parto com 12,5%. A razão da mortalidade materna (RMM) durante esse período foi de 64,0, sendo 43,0 inclusos nas causas de óbito materno obstétrica direta. CONCLUSÃO: Diferentes fatores podem estar associados à morte materna, as síndromes hipertensivas representaram as principais causas dos óbitos. Por isso reitera-se a necessidade da implementação de políticas públicas que abordem o contexto que a gestante está inserida dando todo suporte necessário sobre o tema. Sobre análise dos dados observou-se a necessidade de uma conscientização por parte das mães, sobre consultas no pré-natal, planejamento familiar e puerpério.


Palavras-chave


Mortalidade materna; Saúde da mulher; Causas de morte.

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Referências


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