ANÁLISE DAS TAXAS DE INTERNAÇÕES HOSPITALARES POR CAUSAS EXTERNAS EM SERGIPE, 2012-2017.

Juliana Lima Ferreira, Hysa Carolline Carvalho Oliveira, Marcio Lemos Coutinho

Resumo


INTRODUÇÃO: As causas externas, conceituadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o conjunto das lesões acidentais (acidentes de transporte, afogamentos, quedas, queimaduras e outras) e das violências (agressões, homicídios, suicídios, privação ou negligência), ocupam lugar de destaque entre as causas de morbimortalidade no Brasil. Esses eventos são responsáveis pela morte de cinco milhões de pessoas no mundo a cada ano (9% da mortalidade mundial), configurando-se um grande desafio para o setor saúde. Além de serem uma das principais causas de mortalidade, as causas externas também são responsáveis pela hospitalização de dezenas de milhões de pessoas. Dependendo da gravidade das lesões, muitos daqueles que sobrevivem a acidentes e atos de violência continuam sofrendo com sequelas temporárias ou permanentes. OBJETIVO: Analisar as taxas de internação hospitalar por causas externas no Estado de Sergipe. METODOLOGIA: Inicialmente foi realizada uma análise de dados da doença a partir de dados secundários obtido no site do Datasus (Departamento de Informática do SUS) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com aplicação de métodos de cálculo da taxa internação e permanência média de internação. Posteriormente os dados foram discutidos frente à revisão de literatura sobre o tema a partir de artigos indexados na base de dados Scielo (Scientific Eletronic Library Online) e Lilacs (Literatura Latino-Americana em Ciências de Saúde). RESULTADOS: Entre 2012 e 2017, foram registrados 46.333 casos de internação por causas externas nos serviços hospitalares vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) de Sergipe. A maioria das vítimas era do sexo masculino (73%) e pertencia ao grupo etário de 20 a 29 anos (21,9%). Durante esse período pode-se observar uma variância da taxa de internação entre 32,32 (2012) e 37,49 (2017), com destaque para o ano de 2016 que teve um crescimento na taxa para aproximadamente 45,0. Há uma predominância de internações por causas acidentais, representadas pelas quedas (38,7%), lesões autoprovocadas (26,1%) e acidentes de transporte terrestre (21,9%). Apesar das quedas terem maior porcentagem, as causas de acidentes de transporte terrestre e lesões autoprovocadas se apresentam com maior média de permanência, tendo variação de 7,1 a 7,5 dias, respectivamente, em relação às quedas que apresentam 5,3 dias. Estudos revelam que em relação ao gênero envolvidos na sociedade, resulta uma distribuição desigual das internações tendo mais de 50% do sexo masculino e adultos jovens em praticamente todos os tipos de causas externas. Isto se da possivelmente em função das diferenças comportamentais e de estilo de vida entre homens e mulheres. CONCLUSÃO: A análise e divulgação dos dados de internações hospitalares permite identificar grupos prioritários para o desenvolvimento de estratégias específicas de prevenção e de assistência às causas externas, como também o delineamento de políticas públicas com o objetivo de reduzir a ocorrência e a morbimortalidade causada por esses acidentes.


Palavras-chave


Causas externas; Tempo de internação; Hospitalização.

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Referências


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