PERFIL DAS LESÕES AUTOPROVOCADAS E TENTATIVAS DE SUICÍDIO REGISTRADOS NO SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE AGRAVOS DE NOTIFICAÇÕES NO PERÍODO DE 2011 A 2016

Wolney Sandy Santos Lima, Daiana Lisboa de Souza, Wiltar Teles Santos Marques, Ilva Santana Fontes Fonseca

Resumo


INTRODUÇÃO: O suicídio é considerado um grave problema de saúde pública, estando entre as dez principais causas de mortes na população mundial e presente em todas as faixas etárias. Anualmente, mais de 800 mil pessoas morrem vítimas do suicídio, para cada adulto que se suicida, estima-se que pelo menos outros 20 atentam contra a própria vida. OBJETIVO: Analisar o perfil das lesões autoprovocadas e tentativas de suicídio registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), nos últimos cinco anos. METODOLOGIA: Análise descritiva das características sociodemográficas dos casos de lesões autoprovocadas (idade, raça/cor, nível de escolaridade, presença de deficiência/transtorno e zona de residência) e das características da ocorrência (local, violência de repetição e relação com o trabalho). Os dados foram extraídas do componente de Violência e Acidentes do Sistema de Informações e Agravos e Notificações (VIVA/Sinan), através das fichas de notificação individual de violência interpessoal/autoprovocada entre o período de 2011 a 2016. RESULTADOS: No período de 2011 a 2016, foram notificados no Sinan 1.173.418 casos de violências interpessoais ou autoprovocadas. Desse total, 176.226 (15,0%) foram relacionados a prática de lesão autoprovocada, sendo 116.113 (65,9%) casos em mulheres e 60.098 (34,1%) casos em homens. Levando em consideração apenas a ocorrência de lesões autoprovocadas, houve um total de 48.204 (27,4%) casos de tentativa de suicídio, sendo 33.269 (69,0%) em mulheres e 14.931 (31%) em homens. Quanto á análise de notificações referentes ás lesões autoprovocadas no sexo feminino, observou-se que as ocorrências se concentravam nas faixas etárias de 10 a 39 anos, em 74,4% dos casos. Em relação á raça/cor, foi evidenciado que 49,6% das mulheres eram brancas e 35,7% negras. Teve-se um total de 30,5% que apresentavam ensino fundamental incompleto ou completo e 23,5% possuíam ensino médio incompleto ou completo. Foi identificado a presença de deficiência/transtorno em 19,6% das mulheres. A grande maioria dos casos, 84,0%, ocorreram na residência, seguida por 4,8% em via pública. Tendo um total de 89,4% que residiam em zona urbana. As lesões tiveram caráter repetitivo em 33,1% dos casos. Apenas 0,8% dos casos apresentaram alguma relação com o trabalho. Entre os homens, houve uma concentração de maiores notificações nas faixas etárias de 10 a 39 anos, representando 70,1% dos casos. Do total de casos analisados, 49,0% eram brancos e 37,2% negros; 32,2% possuíam ensino fundamental incompleto ou completo e 19,6% ensino médio incompleto ou completo. Foi identificado a presença de deficiência/transtorno em 20,0% desses homens. Ocorreu na residência 72,4% e 10,4% em via pública. As lesões tiveram caráter repetitivo em 25,3% dos homens. Apenas 1,1% dos casos apresentavam alguma relação com o trabalho. CONCLUSÃO: Mesmo diante de um cenário alarmante, o suicídio pode ser prevenido. Faz-se necessário que o enfermeiro e a equipe multiprofissional estejam capacitados para realizarem com maior efetividade o manejo do paciente suicida, diminuindo assim as taxas de morbidade e mortalidade.


Palavras-chave


Enfermagem. Saúde Mental. Tentativa de Suicídio.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.